É aquela vontade de partir e deixar as relações assim, bonitas, bem feitinhas. Sem manchas, sem cicatrizes, sem marcas de dor. São as junções do medo de estragar tudo e a ousadia de querer montar um castelo de cubinhos de madeira, aqueles que brincávamos quando crianças; deixar maior, tentar equilibrar, e esquecer que a queda pode ser maior.
É a ânsia de querer parar a história no meio, na parte boa. É aquela angústia que vem quando sabemos que a chapeuzinho vermelho vai encontrar o lobo se for pelo bosque. É querer parar de escrever ali, depois da primeira noite, é querer congelar o tempo. É querer desligar a TV depois do primeiro beijo do casal apaixonado. É a preferência de partir depois de um “eu te amo” do que depois de um “eu te odeio”. É o desejo reprimido ir embora pela primeira vez antes que te peçam primeiro.
É como deixar a casa de bonecas arrumada e depois parar de brincar, crescer e nunca mais tocar lá, deixar que crie pó, para que depois se pense: "Tive uma casinha, cuidei dela, fiz dela meu desfrute por um tempo do qual tive certeza que seguraria as rédeas. E depois parti deixando os móveis no lugar. O travesseirinho colocadinho e o lençol por cima como se num momento tardio eu voltasse a me deitar. Deixei organizado como se voltaria. Mas não voltei. ”
E assim se foi.
M; 11/07/11

Um comentário:
Eu me sinto assim com o coração dos outros. Como se eu entrasse, plantasse, depois arrancasse até a raiz, colocasse a semente no lugar, regasse e deixasse assim até que outro cuide.
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