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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Baforadas doces.

A vida é tão previsível. A vida que eu levo é que é previsível.
As coisas vem e vão, as pessoas são lindas hoje, e o hoje já quase acaba; ontem você era tão linda, me dizias palavras encantadoras, me fazia refletir, me fazia sentir, me fazia parecer estar viva, quando mal percebo o tempo escorre dentre meus dedos, entrelinhas e o ontem já se transforma em anteontem; há um mês você era tão linda, me transmitia dúvidas, me fazia imaginar, me trazia inspiração, lembro num dia de noite fria em que a lua estava esfumaçada e pensei em você em seguida, pensei em você até mudar de órbita, logo se transformou em lua cheia e meus pensamentos mudaram, se esvaíram; semana passada foram-se noites de lua cheia, hoje ela míngua.
 
Esse cigarro agora tem o gosto da minha dor,

eu mal acordo e o sol faz seu show diante de mim, ignorado, tratado com indiferença... Ainda assim, essas manhãs frias são doloridas, e existe uma diversidade de feridas diferentes, distintas, contrárias, mas com uma semelhança: latejam e fazem doer sempre pelo mesmo motivo. As baforadas parecem sair adocicadas do meu pulmão, como um doce veneno, como seu sorriso, por exemplo, que me desintegra ao decorrer da vida, à velocidade da mudança das órbitas lunares.
Essa inconstância me contamina, me contagia e crio dependências dessas mudanças sem fim. Quero e não quero, mal começo e já sinto, mal acabo e já sofro, começo e acabo; rápido! Mais rápido! A única constância que existe nesse meio é a velocidade dessas fases, dessas transições.
A vida é tão rara, a vida é tão contraditória. Minha vida é contraditória, bipolar. Se decide dar momentos de felicidade já se arrepende. E arranca de mim sempre da mesma forma, brutalmente.
Queres me testar, é? Vá fundo, e verás onde chego porque...afinal, “se tens um coração de pedra, bom proveito. O meu fizeram-no de carne e sangra todo dia.”

Mariana Magalhães – 27.04.2011 (23:31)

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