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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ah, eu tive tanto amor um dia.

“Graças a Deus, que você sofre”; dizia meu livro -Olhai os lírios do campo- Não acredito nesse Deus descrito no trecho, mas... Ainda bem que eu sofro mesmo. Estão certos, todos! Todos menos ela. 
E que monotonia! Não deveria ser assim. Vim para esse lugar com o intuito de encontrar pessoas raras, verdadeiras, puras; E não que digam que amam a todos e todas! Das mais clichês frases ela conseguiu me convencer que era sincero. E sim, me dá uma vontade de chorar por causa disso, passei por coisas piores e ainda assim, consegui acreditar.
Tá virando monótono encontrar pessoas assim. 
E ouçam bem, isso não é uma promessa, nem muito menos um aviso, mas um pressentimento: Vou voltar a me fechar. Eu sei disso, meu coração me diz. Agora, imaginando olhares e sorrisos bonitos que me comoveriam, eu desviaria o olhar como se neles existisse algo afiado que me perfurasse a alma, que me comovesse e me convencesse novamente que é real; eu teria o conhecimento de que isso aconteceria; e a certeza de que na verdade, real nunca mais será. Não existirá mais.

Graças a Deus que eu sofro? Bem... É questionável, afinal. Qual a graça de crescer e perder toda sua essência, o costume de valorizar e se importar com as coisas simbólicas e simples? Lembro-me que hoje voltando pra casa não conseguia parar de olhar para o céu após o pôr-do-sol; ele estava lilás! Quem é que repara nisso, me responde? Ao entrar em semi-lucidez após disso, apenas pedi para que eu nunca perdesse essa parte sentimental que vale a pena carregar, essa essência rara que eu reconheço! E que o caminho do sofrimento não me leve a esse destino.

“Ah, eu tive tanto amor um dia.”




Mariana M. – 05.05.11



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